Camila Illustration
illustrated by OUSA Collective

English translation below

Esse texto primeiro veio em imagens e virou um caderno com o nome “futuros”. Não que eu tenha muito talento para desenho, mas a imagem e a oralidade às vezes são meu primeiro caminho de pensamento. Incômodos de uma obsessão com o futuro, ainda em forma de associações livres. Quatro dessas imagens: uma espaçonave, um pote de aveia, uma folha de babosa, uma pélvis. Vejo no muro da minha casa, em Kreuzberg, em Berlim, um pôster de um evento – Queer Futures, do Gorki, um dos principais teatros da cidade. Brotam convites, conferências, encontros, projetos que falam, especular o futuro. De quem? Quem tem tido o privilégio de ocupar espaços de debate sobre o que virá, em um tempo tão árido, tão presente, urgente. Um tempo sem ar, em que há testes de covid-19 em todas as esquinas na Alemanha, enquanto em outras partes do mundo a vacina ainda é algo muito distante.
Ochy Curiel, teórica afro-dominicana, lésbica, afirma que o modelo newtoniano busca uma distinção entre passado e futuro, bem como o modelo cartesiano defende separação entre natureza e gente.¹
adrienne maree brown já descreveu anteriormente como fragmentar é uma das maiores armas para manter opressões.²
Guardemos isso, que também nos direciona a pensar uma palavra que faz parte das entranhas do imaginário ocidental: progresso.
A espaçonave: ela foi parar no caderno em 11 de julho. “Viagens espaciais devem se popularizar e levar milhares no futuro”, dizia uma notícia da CNN. No subtítulo: “embora o preço não fique barato”. Naquele dia, a nave espacial Virgin Galactic foi lançada com o bilionário Richard Branson. Nove dias depois, outro magnata criou do próprio dinheiro um marco histórico no imaginário das pessoas – Jeff Bezos, dono da Amazon e do jornal Washington Post, que também fabricou sua própria nave. Não satisfeito agradeceu a todos os clientes (“vocês pagaram por tudo isso”, o que me faz querer vomitar cada pacote da Amazon ao qual sucumbi no passado). E disse que viu um planeta “frágil”.³
Magnatas precisam, afinal, inventar fragilidades, para que possam ser preenchidas com soluções em formas de business.
A conquista de outros mundos não é novidade no capitalismo, ela é a base colonial. Sempre foi um fetiche do sistema, assim como o descarte de algo anterior e a criação a partir de um ponto zero. Narrativas futuras, cidades futuras (“smart”?!). São referências constantes novamente Octavia Butler, Ursula Le Guin. E, claro, Donna Haraway. Todas referências incríveis que arrombam portas fundamentais, inclusive aqui dentro. Mas uma coisa provoca um ruído no estômago. É engolidora a repetição única de referências e a presença deste debate especialmente em círculos privilegiados, nos países que concentram boa parte do capital financeiro da atualidade.
Há um incômodo com o absurdo do tempo que vivemos. Isso é comum, tanto na Alemanha, onde vivo, como no Brasil, onde minha cabeça nunca deixa de pisar quando escreve. Mas há algo que soa muito distante no debate europeu. Algo que varre outras formas de pensar o tempo. A comunicadora e artista Indígena brasileira Naine Terena questiona a noção de falta de tempo, no texto “Corpos dóceis”.
E ela diz “o tempo que você diz que não tem, que você acha que não tem”. Ela fala de um corpo domesticado, obediente, submisso à produtividade. E deixa evidente que há outras formas de viver, inclusive tratadas como pobreza e que podem na verdade trazer o que ela chama de “sossego material”. Nem todos os corpos fazem parte da lógica dominante, simples assim. E, ao mesmo tempo, nada simples.
Quem é esse “nós”, preso em um tempo acelerado, direcionado ao futuro? Junto com a pesquisadora, artista e liderança indígena Vândria Borari, começamos a pensar sobre isso em um texto intitulado “One Vision, One World – whose world then?”, feito com base em um discurso presencial da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sobre o futuro da internet
, em que ela fala sobre criar uma ideia comum. De novo a obsessão da linearidade.

Quem é esse “nós”, preso em um tempo acelerado, direcionado ao futuro?

Chegamos a outra das imagens no caderno: um pote de aveia. Veio em uma lista sobre alimentação integral, como parte de dicas para reduzir depressão e ansiedade. Para trazer a pessoa mais para o presente, dizia o texto. Considerada um sedativo natural, a aveia é usada para tratamento de depressão e ansiedade. De acordo com o Census Bureau (departamento de estatísticas) dos Estados Unidos, 42% das pessoas reportaram sintomas de ansiedade e depressão, número 11% maior do que no ano anterior (pandemia também tem papel nisso). Alimentação é alternativa aos medicamentos. Aliás, chegamos a mais uma lógica colonial. O lítio é hoje uma das bases para esse tipo de medicamento. Metade das reservas estão localizadas na Bolívia, no Salar de Uyuni. Da mesma fonte de onde saem baterias de smartphones e também de carros elétricos, que conduzem outra parte de promessas de dias mais “verdes” e “sustentáveis” (a que mesmo estamos sustentando?).

Imaginar e sentir têm rastro na estrutura concreta das nossas formas de existência.

Quase cinquenta anos de “Os limites do crescimento”, livro escrito em 1972, comissionado pelo Clube de Roma, liderado por um industrial. Ainda tomado como referência em debates sobre crise socioambiental e o clima. Tinha objetivo primordial de projetar o futuro, ler o mundo através de modelos com números de população mundial, produção industrial e poluição. Apontava a impossibilidade de crescimento indefinido, mas tinha também o objetivo de calcular em métricas possibilidades de manter o progresso, e de expandir um modelo único para que todos os seres humanos pudessem atingir algum tipo de bem-estar, de acordo com padrões eurocêntricos. Não porque as corporações estavam de fato preocupadas com o impacto que causavam, mas porque não havia mais como varrer os efeitos para debaixo do tapete.
Agora surge, porém, mais um reforço que parece alargar limites: a imaginação, especialmente de pessoas privilegiadas em lugares de poder. E lá vamos nós novamente. O que isso de fato tem de diferente sobre a lógica linear, orientada por progresso, por uma crença enorme no desenvolvimento tecnológico?Imaginar e sentir têm rastro na estrutura concreta das nossas formas de existência. O futuro que nasce da América Latina não se descola de veias, entranhas e buracos cavados a todo momento para tirar recursos como minérios, alimentos, represar água. Represar outras formas de existência. Mais uma vez a construção de um futuro único, universal.
Então, “é possível descolonizar utopias?” pergunta a cientista política María do Mar Castro Varela. Ela elabora sobre como a ideia de futuro pode carregar um imaginário colonial. Precisamos desempacotar as utopias, “elas precisam te fazer suar e tremer, porque é necessário confrontar traumas tanto vividos por você como causados por você e sua história”.
Diferentes cosmologias levam a pensar o tempo de outra maneira. Olhando para frente, é também preciso pedir licença e recuperar raízes, garantindo referências, cavando para entender de onde as resistências vêm, por que e como cosmologias lutam para não se extinguirem. Passados subterrâneos que, na lógica capitalista, estão fadados ao descarte. A brasileira Katiúscia Ribeiro, em um texto chamado “O futuro é ancestral”, recobra a luta pela permanência, a partir da sabedoria quilombola. Ela pergunta: Onde vivem as ancestralidades? De que maneira a humanidade do ser pode ser reconfigurada a partir de um princípio ancestral?”
. O líder Indígena Ailton Krenak tem repetido a mesma premissa.
E há diversas mulheres pensadoras que têm disputado esses sentidos, como Sueli Carneiro, Célia Xakriabá, Silvia Cusicanqui, apresentando caminhos que não cabem em concepções pragmáticas únicas de decolonialidade.
Passado, presente e futuro não fazem linhas retas em muitas cosmologias. Pensando no evento do Gorki, Queer Futures, o que me embrulha o estômago é o sentimento: mas nós sempre estivemos aqui. Minhas entranhas de futuros recobram, por exemplo, mulheres e pessoas não binárias que, mesmo em meio a tantas ondas de repressões em diferentes tempos, amaram mulheres. Foram queimadas, destituídas, categorizadas, mas também viveram, tiveram prazer, abriram caminhos de libertação. Me deram a possibilidade de existir.
Aterrissamos na penúltima imagem, uma folha de babosa, a partir de uma fotografia que fiz em um supermercado em Berlim. Aprendi com minha avó, que vinha de uma família de agricultores familiares no interior do Estado de Minas Gerais, no Brasil, que a babosa ajuda a cicatrizar. Na cidade onde nasci, Rio de Janeiro, só quando adulta conheci uma plantação grande de babosa em um encontro de agroecologia na Zona Oeste do município. Mesma região na qual centenas de pessoas foram removidas devido às Olimpíadas e Copa do Mundo. Mais especificamente, 100 mil pessoas.
E há várias ameaças de mais remoções por diferentes formas de gentrificação. A sabedoria popular e o direito ao território, lado a lado, sem separação, lutando para existir. E eis que em Kreuzberg, em Berlim, em um mercado orgânico parte de uma grande cadeia de distribuição de alimentos, vejo escrito um dia “futuro da medicina”, apontando para o local onde se pode comprar uma folha enorme de babosa para propósitos medicinais. De um lado do mundo se despossui, de outro se apresenta como uma novidade. Futuro?
Termino com a última imagem, a pélvis. Um pedaço do corpo pelo qual o heteropatriarcado é obcecado. Me assusta o número de pessoas que ouço dizer na Europa: “não consigo mexer o quadril”. Um fragmento expressivo da permanência das origens do heteropatriarcado cristão. A linearidade ataca novamente. Eis que, me sentindo travada e com dor na base da coluna, fui ao médico. Alopata, me disse para fazer fisioterapia e etc. Resolvi tentar outra coisa e dei de cara com um workshop de Nora Amin, egípcia que vive em Berlim e trabalha com uma perspectiva feminista de Baladi dance (pejorativamente chamada no ocidente de belly dance). Primeiro dia de contato: “o controle das possibilidades de experimentação e de futuros também começa na pélvis, e na história de repressões dos corpos das mulheres”. Fui parar onde precisava. No Egito, há movimentos específicos proibidos por lei, explica ela. Movimentos que foram proibidos em momentos diferentes da história. Nem sempre o presente ou o futuro são a resposta de algo mais livre.
Alargar as curvas. Para que as ideias também saiam das entranhas e do chão onde a gente pisa.

Oats, spaceships, an aloe leaf, a pelvis: I went to collect parts of the future and decided to turn around

Translation by Alex Brostoff

At first, this text emerged in images and then became a notebook called “futures.” Not that I have much talent for drawing, but turning ideas into drawings and spoken-word narratives are at times my first ways of thinking. Discomforts caused by an obsession with the future express themselves in the form of free association. Four such images: a spaceship, a jar of oats, an aloe leaf, a pelvis. On the wall of my house in Kreuzberg, Berlin, I catch a glimpse of a poster for the event Queer Futures at The Gorki, one of the main theaters in the city. Invitations, conferences and meetings crop up, projects that aim to speculate about the future. Whose future? Who has had the privilege of occupying space to discuss what is yet to come in such an arid, urgent present time? A time without air, a time when Covid-19 tests are on every street corner in Germany, while in other parts of the world, the vaccine is still a long way off.
Afro-Dominican, lesbian theorist Ochy Curiel argues that the Newtonian model seeks to delimit past and future, just as Cartesian dualism seeks to demarcate between nature and society.¹ adrienne maree brown has described how turning us against each other is one of oppression’s most powerful weapons.²
Let’s linger on this, for it also orients us toward thinking through a word that is part of the depths of the Western imaginary: progress.
The spaceship landed in the notebook on July 11th. “Space travel is expected to become popular and launch thousands into orbit in the future,” read a CNN report. The subtitle added “although the price is not cheap.” That day, the Virgin Galactic was launched into space with billionaire Richard Branson aboard. Nine days later, another business magnate paid his way to making history in the popular imagination: Jeff Bezos, owner of Amazon and The Washington Post also built his own spaceship. To add insult to injury, he thanked all the customers (“You paid for all of this,” he said, which makes me want to vomit up every Amazon package I succumbed to ordering in the past) and said he understood the planet was “fragile.”³
After all, business magnates need to invent issues that can be solved by their own corporate models.
The conquest of other worlds is nothing new in capitalism; it is capitalism’s colonial lynchpin. Colonization has always been a systemic fetish, like throwing something old away and recreating it from scratch. Future narratives, future cities (“smart”?!). References to Octavia Butler, Ursula Le Guin, and of course, Donna Haraway are made again and again – all incredible references that break down doors, both inside and out. But something knocks and makes a noise in the stomach. The repetition of references and the presence of this debate – especially in privileged circles, in countries where much of today’s financial capital is concentrated – is harrowing.
The absurdity of the time we live in causes such discomfort. This is common, both in Germany, where I live, and in Brazil, to where my mind never stops roaming when I write. But in the European context, there is something that sounds so far afield, something that sweeps away other forms of thinking about time. In the article “Docile Bodies,” Brazilian Indigenous activist and artist Naine Terena questions the construct of “not having enough time.”
She writes of “the time you say you don’t have, that you think you don’t have.” She speaks of an obedient, submissive body, a body operating in the service of productivity. She makes it clear that there are other ways of living, including those considered depraved. Such ways of living can actually bring about what she calls “material rest.” Not all bodies are part of the dominant logic; it’s as simple as that. And it’s also not simple at all.

Imagining and feeling are embedded in the concrete structure of our forms of existence.

Who is this “we” trapped in an accelerated, future-oriented time? In response to German Chancellor Angela Merkel’s speech about the future of the internet, researcher, artist and Indigenous leader Vândria Borari and I started to think about this question in a text entitled “One Vision, One World – Whose World Then?”
In the speech, Merkel talks about creating a common idea of the future. Again, this obsession with linearity and progress.
We’ve made it to another image in the notebook: a jar of oats. It appeared on a list of foods that reduce depression and anxiety. “To bring people into the present,” one of the tips noted. Considered a natural sedative, oats are used to treat depression and anxiety. According to the U.S. Census Bureau, 42% of people report symptoms of anxiety and depression, 11% more than in the previous year (the pandemic plays a role here). Food is an alternative to medication. Alas, we encounter yet more colonial logic. Today, lithium is one of the bases for this type of medication. Half of the reserves are located in Salar de Uyuni, Bolivia. Smartphones and electric car batteries are made from the same source, driving promises of “greener” and “more sustainable” days (what are we even sustaining?).

Who is this “we” trapped in an accelerated, future-oriented time?

It’s been almost fifty years since the report The Limits of Growth (1972) was commissioned by the Club of Rome, which included industry leaders and economists, among others. It’s still cited as a reference in debates about the socio-environmental and climate crises. Its primary objective was to predict the future, to read the world through numerical models of population, pollution and industrial production. It pointed out the impossibility of infinite growth, but also aimed to calculate the metrical possibilities of maintaining progress and expanding a centralized model so that all human beings could attain some degree of well-being according to Eurocentric criteria. Not because corporations were actually concerned about their impact, but because there was no longer any way to sweep their effects under the rug.
Now, however, something else appears to stretch the limits of the imagination, especially those of privileged people in positions of power. And here we go again. What’s so different about linear logic driven by progress, by a profound belief in technological development? Imagining and feeling are embedded in the concrete structure of our forms of existence. The future that arises from Latin America cannot be extricated from the veins, guts, and holes dug to build dams and endlessly extract resources like minerals and food. Damn other forms of existence. Once upon a time there was the construction of a singular, universal future.
“Is it possible to decolonize utopias?” asks political scientist María do Mar Castro Varela. She develops the idea of ​​a future that can bear the colonial imaginary. We need to unpack utopias: “they need to make you sweat and tremble, because one must confront trauma that you have experienced both personally and caused historically.”
Different cosmologies lead to different forms of thinking about time. Looking ahead, we must think about asking permission and recovering roots, ensuring references, digging deeper into where resistance comes from, how and why cosmologies struggle against extinction. Within capitalist logic, underground pasts are doomed to be forgotten. In a text called “The Future is Ancestral,” Brazilian scholar Katiúscia Ribeiro reclaims the struggle for survival with respect to quilombola
wisdom. She asks, “Where do our ancestors live on? How can humanity be reconfigured from an ancestral perspective?”
Indigenous leader Ailton Krenak has been thinking through this same premise,
and diverse female thinkers, such as Sueli Carneiro, Célia Xakriabá, Silvia Cusicanqui, have discussed these ideas. They have forged paths that do not fit into conceptions of decolonial praxis.
In many cosmologies, past, present, and future aren’t linear. When I think about Queer Futures, this feeling makes my stomach churn: but we have always been here. The depths of my future imaginings reclaim, for example, women and non-binary people who, even amidst so many waves of repression at various times, loved women, loved non-normative bodies. They were stereotyped, disenfranchised and burned, but they also lived, experienced pleasure and found paths to liberation. They have made my existence, and so many other existences, possible.
We have landed on the penultimate image: an aloe leaf, stemming from a photograph I took in a supermarket in Berlin. I learned from my grandmother that aloe helps with healing. She came from a family of farmers from the countryside in Minas Gerais, Brazil. In Rio de Janeiro, the city where I was born, I did not come across a large aloe vera plantation until I attended an agroecology conference in the western part of the city. This is the same region where hundreds of people were displaced prior to the Olympics and the World Cup. To be more specific, 100,000 people.¹⁰
And different forms of gentrification threaten far further displacement. Popular wisdom and land rights, under the same roof, without separate space, struggle to survive. One day, here in Kreuzberg, in Berlin, in an organic market that is part of a large food distribution chain, I see a sign for “the future of medicine,” pointing to a place where you can buy a huge aloe leaf for medicinal purposes. On one side of the world, traditional ecological knowledge is displaced, on the other it is presented as novelty. The future?
I’ll end with the final image, the pelvis: a piece of the body that heteropatriarchy is obsessed with. In Europe, I’m shaken by the number of people who I hear say: “I can’t move my hips.” Such cultural expression conveys the remains of Christian heteropatriarchy. Linearity strikes again. Here, feeling stuck, and in pain at the base of my spine, I went to the doctor. Allopathic medicine; that is, he told me to do physical therapy and so on. I decided to try something else and stumbled upon a workshop taught by Nora Amin, an Egyptian who lives in Berlin and works on Baladi dance (pejoratively called belly dance in the West) from a feminist perspective. On the first day we’re in contact: “the control of possibilities for experimentation and futures also begins in the pelvis, and in the history of repression in women’s bodies.” I ended up where I needed to be. In Egypt, there are specific movements that are against the law, she explains, movements that were banned at different historic moments. The present or the future is not always the route to liberation.
Widen the curves. So that ideas also come out of the guts and the grounds on which we tread.

1. For the full text, see: https://www.urosario.edu.co/Subsitio/Catedra-de-Estudios-Afrocolombianos/Documentos/13-Ochy-Curiel—Genero-raza-y-sexualidad-Debates-.pdf

2. For more, see Adrienne Maree Brown’s blog: https://adriennemareebrown.net/

3. A feminist exploration of Big Tech and the techno-solutionism that has been devised can be found in this article co-authored with researcher Joana Varon: https://branch.climateaction.tech/issues/issue-2/big-tech-goes-greenwashing/

4. Naine Terena’s column can be read here: https://www.itaucultural.org.br/secoes/colunistas/corpos-doceis

5. The full text is available in the first issue of the online magazine Branch: https://branch.climateaction.tech/issues/issue-1/one-vision-one-world-whose-world-then/

6. This speech occured at an event called “Colonial Repercussions,” in Akademie der Kunst, Berlin, 2018. The full text can be accessed here: https://www.youtube.com/watch?v=isCE3yvLrKM

7. The word quilombola refers to Afro-Brazilian residents of quilombo settlements (first established by people who escaped enslavement in Brazil) as well as to their cultural practices under colonial rule. In Brazil, elements of this racial persecution persist today in various forms.

8. For the full text, see: https://diplomatique.org.br/o-futuro-e-ancestral/

9. The video series “Arrows,” narrated by Aílton Krenak and Daiara Tukano, offers a beautiful point of entry into these reflections. A trailer can be viewed here: https://www.youtube.com/watch?v=NHBMwhnQ4uo

10. More information and statistics can be found in the dossier compiled by the World Cup and Olympics Popular Committee: https://comitepopulario.files.wordpress.com/2014/06/dossiecomiterio2014_web.pdf

Stories for Revolution
Obtrusive Relationships
Gathering Multitudes: A bag of stars
Fugitive Memory: for Tu’i Malila
“The Quizumba is On”: Technological Appropriation by Black Women in the Amazônia
No
Big Green Lies
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A guide to the visceral science of time travel
The Unbounded Quest
An interview with Joana Varon
An interview with Jonathan Torres Rodríguez
An interview with futures leader Anab Jain
Where would you like to place your pet giraffe?
Afropresentism – On Incantation and the Machine
Letter from the Editors
A Few Notes on the Cult of Sylphis
Speculative Tourism
Letter from the Editors
Tending to wildness: field notes on movement infrastructure
Aveia, espaçonaves, uma folha de babosa, uma pélvis: fui coletar trechos Oats, spaceships, an aloe leaf, a pelvis: I went to collect parts of the future and decided to turn around.
Προφορικό ποίημα για την προέλευση των Δικτύων Εμπιστοσύνης Narrative Poem about the Origins of Networks of Trust
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